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Jogos de Tabuleiro para Crianças: Os Melhores por Idade (2 aos 8 Anos) e o Que Ensinam

Jogos de tabuleiro para crianças dos 2 aos 8 anos: os melhores por idade, quanto tempo aguentam, jogos caseiros grátis e como jogar sem birra ao perder.

· Nuno Simões

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Os melhores jogos de tabuleiro para crianças são os que cabem no tempo de atenção da idade: 5 a 10 minutos aos 2-3 anos, 15 a 20 aos 4-5, até 45 dos 6 aos 8. Antes dos 4 anos, jogos cooperativos, sem pontos e com imagens em vez de texto; a partir daí, dado com números, cartas e a primeira competição. O que se treina em cada partida é o mesmo que a escola vai pedir: esperar a vez, seguir regras, lembrar o que já saiu e perder sem que o mundo acabe.

O que um jogo de tabuleiro treina (e um ecrã não)

Um jogo de tabuleiro é um treino de funções executivas disfarçado de brincadeira. As funções executivas são o conjunto de competências que o cérebro usa para se organizar, e desenvolvem-se sobretudo entre os 3 e os 7 anos. São três, e todas aparecem em qualquer partida:

  • Memória de trabalho. Lembrar as regras, lembrar onde estava a carta virada, lembrar que já se jogou a cor azul. Um jogo de memória com 12 cartas exige mais memória de trabalho do que muita ficha de pré-escolar.
  • Controlo inibitório. Esperar a vez sem mexer nas peças, não lançar o dado quando é o irmão a jogar, não virar a carta antes de contar até três. É a competência que mais separa uma criança de 3 anos de uma de 5.
  • Flexibilidade. O dado deu 2 em vez de 6, a estratégia mudou, o plano tem de mudar também. Aceitar isso sem desmoronar é flexibilidade cognitiva.

Acrescem ganhos concretos: contar casas, comparar quantidades, reconhecer cores e números, ler a cara de quem está do outro lado da mesa. E há uma diferença em relação ao tablet: à mesa, a regra é mantida por pessoas, não pelo programa. A criança tem de se controlar porque não há uma máquina a impedi-la de fazer batota. Esse é o treino.

Quanto tempo aguenta cada idade

A duração da partida é o critério que mais falha na escolha. Uma caixa que diz “20-30 minutos” não serve a uma criança de 3 anos.

IdadeTipo de jogo que funcionaDuração realistaO que treina sobretudo
2-3 anosCooperativos de cores e imagens, lotos, encaixes com regra5-10 minEsperar a vez (curta), cores, vocabulário, jogar com o adulto
3-4 anosMemória com poucas cartas, dado de cores, dominó de imagens10-15 minMemória de trabalho, primeira noção de ganhar/perder
4-5 anosDado com números, percurso simples, cartas rápidas, cooperativos com decisão15-20 minContar, cumprir 2-3 regras ao mesmo tempo, tolerar a frustração
5-6 anosPercursos com regras, corridas com planeamento, cartas com estratégia leve20-30 minPlanear, antecipar, ler o adversário
6-8 anosDamas, Quem é Quem, Ligue 4, Rummikub Júnior, jogos de dedução e palavras30-45 minEstratégia, lógica, paciência, perder e voltar a jogar

Estes tempos referem-se a uma partida com regras, dirigida pelo adulto. Numa brincadeira livre com as peças do jogo (fazer torres com os dominós, alinhar os frutos do pomar) a criança fica muito mais tempo, e isso também conta.

Os melhores jogos por idade, dos que se encontram em Portugal

Não é preciso comprar muito. Dois ou três jogos bem escolhidos por fase chegam. Estes encontram-se em qualquer loja de brinquedos ou grande superfície.

2 a 3 anos

  • Primeiro Pomar (First Orchard, Haba). O jogo de entrada por excelência. Frutos de madeira grandes, um dado de cores, e um corvo que avança para o pomar: a equipa toda tem de apanhar a fruta antes de ele chegar. É cooperativo, dura 5 minutos e ensina a esperar a vez sem ninguém perder sozinho.
  • Lotos e bingos de imagens. Cartões com animais ou objectos do dia a dia, e cartas para emparelhar. Trabalham vocabulário e atenção.
  • Jogos de memória com 6 a 8 cartas. Comece com 3 ou 4 pares virados para cima, e só depois os vire. Uma criança de 2 anos e meio consegue, em equipa com o adulto.

3 a 4 anos

  • O Pequeno Pomar (Haba). A versão seguinte do Primeiro Pomar: cooperativo, mas com uma componente de memória (onde estão as cerejas escondidas) que puxa mais.
  • Uno Júnior. Cartas com animais e números, regras reduzidas. Emparelhar cor ou número é um bom primeiro treino de “duas regras ao mesmo tempo”. Partidas de 5 a 10 minutos.
  • Dominó de imagens. Emparelhar figuras em vez de pintas. Serve para sequência, atenção e para introduzir a ideia de “não tenho jogada, passo”.
  • Jogos de memória com 12 a 16 cartas. É a idade em que muitas crianças começam a ganhar aos pais honestamente.

4 a 5 anos

  • Dobble Kids. Duas cartas, um símbolo em comum, quem vê primeiro ganha. Rápido, com regras que se explicam em 20 segundos, e treina atenção visual e velocidade de processamento. As partidas são tão curtas que perder uma dói pouco.
  • Rummikub Júnior. Uma versão simplificada do Rummikub com números até 10 e cores: fazer grupos e sequências. Bom para reconhecimento de números e para começar a planear uma jogada.
  • Primeiro jogo de percurso com dado de números. Qualquer “jogo da glória” simples, comprado ou desenhado em casa. Contar casas é o primeiro treino de correspondência entre número e quantidade.
  • Jogos de memória com 20 ou mais cartas. Ou os temáticos (animais, transportes) que a criança já conhece.

5 a 6 anos

  • Monza (Haba). Corrida de carros em que se lançam seis dados de cores e se planeia o melhor caminho. É o primeiro jogo em que a criança tem de pensar dois ou três passos à frente.
  • Ligue 4 (4 em Linha). Alinhar quatro peças da mesma cor. Ensina a olhar para o que o outro está a fazer, não só para o próprio plano. Muitas crianças de 5 anos ainda perdem sempre; aos 6 começam a bloquear o adversário.
  • Dominó clássico e damas. Os de sempre, e por boas razões. As damas podem começar com regras reduzidas (sem obrigação de comer, sem damas).

6 a 8 anos

  • Quem é Quem. Dedução por eliminação: “tem óculos?”, “é mulher?”. Treina perguntas fechadas, raciocínio lógico e a paciência de não adivinhar à sorte.
  • Rummikub Júnior e Uno completo. Já com todas as regras.
  • Dixit. Para os mais velhos da faixa, a partir dos 8 anos, e para famílias que gostam de conversar: cartas ilustradas, uma pista e adivinhar qual é a imagem de quem a deu. Trabalha linguagem, imaginação e leitura dos outros, sem grande competição.

Verifique sempre a idade na caixa, mas confie no que conhece do seu filho. Uma criança que já joga há dois anos está mais preparada aos 5 do que uma que começa aos 6. Se quer uma lista organizada por fase e por competência, com o que cada jogo trabalha, reunimos tudo no guia Jogos de Tabuleiro por Idade.

Jogos caseiros que não custam nada

A criança envolve-se mais num jogo que ajudou a fazer, e percebe melhor as regras porque as viu nascer.

  • Jogo de percurso em cartolina. O verso de uma caixa de cereais, uma linha de casas do “início” à “meta”, canetas para decorar. Um dado (ou um cubo de papel), tampas de garrafa como peões. Acrescente casas especiais à medida que a criança pede: “avança 2”, “espera uma vez”, “volta ao rio”.
  • Memória com fotografias. Imprima duas cópias de 8 fotografias da família ou dos animais da rua. Funciona melhor do que qualquer jogo comprado, porque as cartas interessam.
  • Loto de cores. Cartões com quatro quadrados coloridos; tira-se uma peça de um saco e quem tiver a cor tapa o quadrado. Um jogo de 2 anos, feito em 10 minutos.
  • Dado de tarefas. Um cubo de cartão com desenhos: saltar, rodar, bater palmas, abraçar. Lança-se e faz-se.

Estes jogos treinam exactamente as mesmas competências dos de caixa. Para mais ideias sem material, cruza com jogos educativos dos 3 aos 6 anos e com as brincadeiras para dias de chuva, onde um tabuleiro rende uma tarde inteira.

Cooperativo ou competitivo: qual escolher

Num jogo cooperativo, todos jogam contra o jogo (o corvo, o tempo, o tabuleiro). Ninguém perde sozinho. Num competitivo, há um vencedor e os outros perdem.

A ordem certa é cooperar primeiro, competir depois. Antes dos 4 anos, a criança ainda não tem controlo inibitório suficiente para aguentar a frustração de perder sozinha, e um jogo competitivo acaba quase sempre em choro ou em regras mudadas a meio. Os cooperativos ensinam as regras, a vez e o fim do jogo sem esse peso.

A partir dos 4-5 anos, a competição passa a ser útil, porque é onde se treina o perder. Mas alterne: uma partida competitiva, uma cooperativa, e mantenha os cooperativos na estante até tarde.

Um truque intermédio: jogar em equipa com a criança, sentado do mesmo lado da mesa, contra outro adulto ou irmão. A criança compete, mas não perde sozinha.

Como jogar sem que a criança perca a cabeça

Perder é uma emoção grande num corpo pequeno. A birra que às vezes se segue não é manha: é falta de ferramentas. O adulto dá as ferramentas.

  • Perca à frente dela, e perca bem. “Perdi. Estava mesmo a querer ganhar. Vamos jogar outra.” Dito em voz alta, sem drama. É o modelo mais poderoso que existe.
  • Nomeie antes de consolar. “Querias ganhar e perdeste. É chato.” Só depois: “Queres jogar outra vez ou parar por hoje?”
  • Não mude o resultado. Se a criança chorar e o adulto disser “pronto, ganhaste tu”, o choro passa a ser uma jogada. O resultado mantém-se, a emoção acolhe-se.
  • Dê aviso antes do fim. “Faltam três casas para acabar.” Uma derrota anunciada dói menos do que uma surpresa.
  • Reduza o peso de cada partida. Jogos curtos (Dobble Kids, Uno Júnior) dão muitas oportunidades de perder e recuperar em 10 minutos. Um jogo de 30 minutos perdido no fim é uma tragédia aos 5 anos.
  • Valorize o jogo, não o troféu. “Foi uma boa partida, aquela jogada do meio foi esperta.” Não “não faz mal perder”, que a criança sabe que é mentira.

Se as birras à volta do jogo forem frequentes, o problema raramente é o jogo. A dificuldade de perder costuma andar junto com a dificuldade de partilhar brinquedos, e resolve-se com o mesmo tipo de treino: muitas repetições curtas, com o adulto ao lado.

Erros dos adultos que estragam a partida

  • Deixar ganhar sempre. Adia o problema. A criança que nunca perde em casa perde pela primeira vez no recreio, sem o adulto ao lado. Perca de vez em quando sem esforço aparente, e ganhe de vez em quando sem esforço aparente. A partir dos 5 anos, jogue a sério na maior parte das vezes.
  • Corrigir demais. “Não é assim, vira a carta devagar, conta outra vez, olha para o dado.” Cada correcção tira a criança do jogo. Se a regra foi mal aplicada e não muda o resultado, deixe passar.
  • Explicar todas as regras antes de começar. Explique as duas necessárias para a primeira ronda. As restantes entram quando surgirem.
  • Esticar a partida até ao fim. “Acabamos aqui, ficou empatado” é uma frase legítima aos 3 anos.
  • Comprar jogos para a idade seguinte. “Assim dura mais.” Dura menos: um jogo que frustra vai para a estante e não volta.

Como começar esta semana

Escolha um jogo da faixa etária do seu filho, ou faça um em cartolina numa tarde. Jogue duas partidas curtas, do mesmo lado da mesa, e pare enquanto ele ainda quer mais. Repita três ou quatro vezes na semana, à mesma hora. Ao fim de um mês, a vez espera-se melhor, as regras aguentam-se mais e perder já não é o fim do mundo. Para saber que outros brinquedos fazem sentido em cada fase, veja os melhores brinquedos por faixa etária e as brincadeiras dos 4 aos 5 anos.

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Fontes: Harvard Center on the Developing Child, Executive Function & Self-Regulationdevelopingchild.harvard.edu · Yogman, M. et al. (2018), PediatricsThe Power of Play: A Pediatric Role in Enhancing Development in Young Children · American Academy of Pediatrics, HealthyChildren.orgPlaying is How Toddlers Learn · Zero to Three — Play · Direção-Geral da Saúde — Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil

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Perguntas frequentes

A partir de que idade uma criança pode jogar jogos de tabuleiro?

A partir dos 2 anos, com jogos cooperativos de cores e imagens, sem texto e com peças grandes, e sempre com o adulto ao lado. O Primeiro Pomar é o exemplo clássico para esta idade. Dados com números, contagem de casas e competição a sério só fazem sentido a partir dos 4 anos, e estratégia real por volta dos 6.

Quais são os melhores jogos de tabuleiro para crianças de 3 anos?

Aos 3 anos rendem os jogos cooperativos curtos, os jogos de memória com poucas cartas (8 a 12) e os lotos de imagens. O Primeiro Pomar, O Pequeno Pomar e o Uno Júnior são boas escolhas, todos com partidas de 5 a 10 minutos. Evite jogos com pontuação e caixas que prometem 20 ou 30 minutos de jogo.

Quais são os melhores jogos de tabuleiro para crianças de 4 anos?

Aos 4 anos a criança já aguenta um dado com números, duas ou três regras e a primeira competição. Dobble Kids, Uno Júnior, Rummikub Júnior, jogos de memória com 16 a 20 cartas e um jogo de percurso simples com um dado são apostas seguras. Alterne com jogos cooperativos para que perder não seja a regra de todas as partidas.

Quanto tempo deve durar um jogo de tabuleiro com crianças pequenas?

Aos 2-3 anos, 5 a 10 minutos; aos 4-5, 15 a 20; aos 6-8, 30 a 45. Termine enquanto ainda há boa disposição, mesmo a meio da partida. Duas partidas curtas e bem-sucedidas ensinam mais do que uma longa que acaba em choro.

Como ensinar uma criança a perder num jogo sem fazer birra?

Comece por jogos cooperativos, em que todos ganham ou perdem juntos, e só depois introduza a competição. Perca bem à frente dela e diga em voz alta o que sente. Nomeie a frustração sem mudar o resultado: 'querias ganhar e perdeste, é chato'. E não a deixe ganhar sempre, porque isso adia o problema em vez de o resolver.

O que é que os jogos de tabuleiro ensinam às crianças?

Treinam as três funções executivas de base: memória de trabalho (lembrar as regras e onde estão as cartas), controlo de impulsos (esperar a vez, não mexer nas peças dos outros) e flexibilidade (mudar de plano quando o dado não ajuda). Acrescem a contagem, o vocabulário, a leitura de emoções nos outros e a tolerância à frustração de perder.

Jogos de Tabuleiro por Idade

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