Para algumas crianças, o banho é o melhor momento do dia. Para outras, é uma batalha diária com choro, fugas e água pelo chão. Em ambos os casos, há uma forma de o tornar mais fácil: transformá-lo em brincadeira.
A água é um dos materiais de brincar mais ricos que existem. Encher, despejar, salpicar, fazer flutuar e afundar. E o banho, como parte da rotina de deitar, é também um momento de calma e de ligação. Este guia tem 15 brincadeiras por idade e as regras de segurança que nunca se negoceiam.
O banho faz parte da rotina de sono? Vê como criar uma rotina de sono e o guia do sono.
Primeiro, a segurança (sempre)
- Nunca deixar a criança sozinha, nem por um minuto, nem com um irmão mais velho a tomar conta. Uma criança pequena pode afogar-se em poucos centímetros de água, em segundos e em silêncio. A DGS e a APSI insistem neste ponto: a vigilância tem de ser próxima, contínua e activa.
- Ao alcance do braço: o adulto fica junto da banheira, com tudo o que precisa preparado antes (toalha, pijama, fralda).
- Se tocar a campainha ou o telefone, a criança sai do banho contigo.
- Temperatura da água: à volta dos 37 °C. Testa com um termómetro de banho ou com o cotovelo antes de pôr a criança. Abre primeiro a fria e mexe bem.
- Assentos e argolas de banho não são dispositivos de segurança: podem virar ou a criança pode escorregar.
- Esvaziar a banheira logo que o banho acaba e não deixar baldes ou alguidares com água.
- Tapete antiderrapante dentro e fora da banheira.
Brincadeiras para bebés (0-12 meses)
Nos primeiros meses, o banho em si já é uma experiência sensorial enorme. O mais importante é a calma e o contacto.
- Canção do banho: sempre a mesma, para o bebé reconhecer a sequência.
- Chuva suave: deixar cair água devagar de um copo sobre a barriga ou as pernas (nunca na cara).
- Pés que chapinham: segurar o bebé e deixá-lo pontapear a água.
- Esponja para apertar: a partir dos 6 meses, sentado com apoio, o bebé descobre que a esponja larga água quando aperta.
- Nomear as partes do corpo: “agora lavamos a mão… o pé… a barriga!” Linguagem e rotina ao mesmo tempo.
Brincadeiras para 1 a 3 anos
- Encher e despejar: copos de plástico, regadores, coadores, funis. O coador é sempre o favorito.
- Flutua ou afunda?: uma rolha, uma colher, uma bola, uma esponja. Adivinhar antes e experimentar.
- Banho dos peluches: fora da banheira, num alguidar, a criança dá banho aos bonecos com esponja e toalha. É óptimo para crianças que têm medo do banho: primeiro lavam o boneco, depois é a vez delas. (Com bonecos de plástico, que os peluches demoram a secar!)
- Bolas de sabão: o adulto sopra, a criança tenta rebentar.
- Barco à vela: uma tampa de plástico com uma “vela” de esponja. Soprar para o fazer andar.
Brincadeiras para 3 a 6 anos
- Pintar com espuma: espuma de banho com uma gota de corante alimentar em copos diferentes; pintar a parede da banheira com os dedos (sai com água).
- Letras e números de espuma que colam nos azulejos: formar o nome, contar.
- Cabeleireiro: com espuma, fazer penteados malucos ao espelho.
- Laboratório de água: garrafas com buracos a alturas diferentes. De onde sai o jacto mais forte?
- Histórias do mar: animais de plástico, uma “gruta” feita com um copo virado e uma história inventada à vez.
Há mais brincadeiras com água em brincadeiras sensoriais para bebés e em experiências científicas para crianças.
Quando a criança não gosta do banho
É muito comum, sobretudo entre os 1 e os 3 anos, e muitas vezes tem uma causa concreta:
- Medo de água na cara ou nos olhos: lavar a cabeça no fim, depressa, com a criança a olhar para cima; uma viseira de banho ou uma toalha seca para tapar os olhos ajudam.
- Medo do ralo (a água que “desaparece”): esvaziar a banheira depois de a criança sair.
- Frio ao sair: toalha pronta e quente, casa de banho aquecida.
- Transição difícil (estava a brincar e não quer parar): avisar antes (“mais uma construção e vamos para o banho”) e levar um brinquedo.
- Banhos longos demais: não precisa de ser todos os dias nem demorado. Para bebés, dois a três banhos por semana chegam, com lavagem da cara, das mãos e da zona da fralda nos outros dias.
Dá-lhe controlo em coisas pequenas: escolher o brinquedo, deitar a água do copo, decidir se é esponja ou luva. E evita forçar: o medo passa mais depressa com pequenos passos do que com lutas. Ver também medos e pesadelos nas crianças.
O banho como momento de calma
À noite, o banho funciona muito bem como início da rotina de deitar: água morna, luz mais baixa, voz calma, e brincadeiras mais tranquilas. As brincadeiras agitadas (salpicos, bolas de sabão em correria) ficam melhor para um banho de fim-de-semana à tarde.
Uma sequência simples: banho → toalha e massagem → pijama → dentes → livro → cama.
Em resumo
- Nunca sozinho, sempre ao alcance do braço, e banheira vazia no fim.
- Água à volta de 37 °C, testada antes com termómetro ou cotovelo.
- O banho é brincadeira sensorial, linguagem e ciência: copos, esponjas, flutua-afunda, espuma.
- Medo do banho resolve-se com pequenos passos, controlo e o “banho dos peluches”.
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Fontes: Direcção-Geral da Saúde — Afogamento · Organização Mundial da Saúde — Drowning (fact sheet) · Healthy Children (AAP) — Bathing Your Baby.
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