Um recém-nascido dorme 14 a 17 horas em cada 24; dos 4 aos 11 meses, 12 a 15 horas; entre 1 e 2 anos, 11 a 14 horas; dos 3 aos 5 anos, 10 a 13 horas. São totais que somam noite e sestas. A variação normal é ampla — uma hora acima ou abaixo continua a ser saudável — e o melhor indicador não é o número, é como a criança está acordada.
Uma nota sobre as palavras. Em Portugal diz-se bebé e sesta; no Brasil escreve-se bebê e diz-se soneca ou cochilo. É o mesmo sono e vale tudo o que está aqui escrito, quer procure “quantas horas um bebé deve dormir” quer “quantas horas o bebê dorme por dia”.
Tabela por idade: total, sestas e noite
- 0-3 meses: 14-17h no total. Sem ritmo dia/noite ainda; 4 a 6 períodos de sono espalhados, cada um de 2 a 4 horas
- 3-5 meses: 13-16h. Começa a consolidar-se um bloco nocturno maior; 3 a 4 sestas
- 4-6 meses: 12-15h. Cerca de 9-11h de noite (com despertares) e 3-4h em 3 sestas
- 6-9 meses: 12-15h. Noite de 10-11h; transição de 3 para 2 sestas, somando 2,5-3,5h
- 9-12 meses: 12-15h. Noite de 10-12h; 2 sestas de 1 a 1,5h cada
- 12-18 meses: 11-14h. Noite de 10-12h; transição de 2 sestas para 1
- 18 meses-2 anos: 11-14h. Noite de 10-12h; 1 sesta de 1,5-2,5h a seguir ao almoço
- 2-3 anos: 11-14h. Noite de 10-12h; 1 sesta de 1-2h, que algumas crianças já dispensam
- 3-5 anos: 10-13h. A maior parte só de noite; a sesta desaparece tipicamente entre os 3 e os 4 anos
Janelas de vigília: o número mais útil de todos
Janela de vigília é o tempo que a criança aguenta acordada, confortavelmente, entre um sono e o seguinte. É mais prático do que qualquer horário fixo, porque se ajusta sozinho ao dia real.
- 0-6 semanas: 45-60 minutos
- 6-12 semanas: 60-90 minutos
- 3-4 meses: 75-120 minutos
- 5-6 meses: 2-2,5 horas
- 7-9 meses: 2,5-3,5 horas
- 10-12 meses: 3-4 horas
- 12-18 meses: 3-4,5 horas (a última janela do dia é sempre a maior)
- 18 meses-3 anos: 4-6 horas depois da sesta
A regra prática: a primeira janela do dia é a mais curta, a última é a mais longa. Se o bebé demora mais de 20-25 minutos a adormecer, a janela pode estar curta; se chora, arqueia e resiste, provavelmente foi longa.
Sobrecansaço é o estado em que o corpo, passado o ponto de adormecer facilmente, produz cortisol e adrenalina para se manter acordado — e depois custa muito mais adormecer. É por isso que “cansá-lo mais para dormir melhor” quase sempre sai ao contrário.
Porque é que as tabelas enganam
Três razões, e todas produzem ansiedade desnecessária.
São médias de população, não metas. Um intervalo como 12-15 horas significa que a maioria das crianças cai ali dentro — não que uma criança de 13h esteja pior do que uma de 15h. Há bebés que precisam genuinamente de menos sono, tal como há adultos assim.
Contam o tempo a dormir, não o tempo na cama. Muitos totais reportados por pais incluem meia hora a adormecer e vinte minutos de despertar. A diferença entre o que se conta e o que se dorme facilmente chega a uma hora.
Ignoram a distribuição. Doze horas repartidas em 10 de noite e 2 de sesta funcionam de forma muito diferente de 8 de noite e 4 de sesta, mesmo somando igual. Depois dos 6 meses, sesta a mais rouba sono à noite — e uma sesta que acaba depois das 16h30 costuma atrasar a hora de adormecer.
O que vale mesmo a pena vigiar é o comportamento acordado. Uma criança que acorda bem-disposta, aguenta a manhã sem colapsar, come e cresce está a dormir o que precisa.
O que é normal e não é problema
Acordar de noite ao longo do primeiro ano. Dormir 6-8 horas seguidas aparece tipicamente entre os 4 e os 6 meses, mas os despertares não desaparecem: uma proporção grande de crianças de 12 meses ainda acorda pelo menos uma vez.
Períodos em que tudo piora. Há fases previsíveis de regressão do sono — por volta dos 4 meses, dos 8-10, dos 12 e dos 18 — quase sempre coladas a um salto de desenvolvimento. Duram dias ou poucas semanas.
Ciclos de sono curtos. Um ciclo de sono infantil dura cerca de 45 minutos. Sestas de 30-45 minutos são fisiologicamente normais no primeiro semestre; a capacidade de emendar ciclos aparece mais tarde e em algumas crianças nunca chega a ser automática.
Precisar de contacto para adormecer. Não é um hábito mal instalado, é o desenho da espécie. A questão prática é onde e como se dorme com segurança — o tema do sono partilhado e da segurança do cossono.
Sinais de sono insuficiente
Não é a tabela que dá o alarme, é o dia:
- Adormecer em quase todos os trajectos de carro, mesmo curtos
- Irritabilidade que cresce a partir do meio da tarde e explode ao jantar
- Esfregar os olhos, puxar as orelhas ou perder coordenação muito antes da hora prevista
- Hiperactividade e riso descontrolado ao fim do dia — o sinal mais mal interpretado de todos
- Acordar a chorar das sestas em vez de acordar tranquilo
- Acordar sistematicamente antes das 6h da manhã (quase sempre por deitar tarde, não cedo)
- Depois dos 2 anos: dificuldade de atenção e birras desproporcionadas em dias de sono curto
Se dois ou três destes aparecem juntos e todos os dias, o caminho mais eficaz costuma ser antecipar a hora de deitar em 20-30 minutos e encurtar a última janela do dia — antes de mexer em qualquer outra coisa.
Como construir o total certo
Ancorar a manhã, não a noite. Acordar sempre à mesma hora, com luz natural, faz mais pela consolidação do ritmo circadiano do que qualquer hora de deitar. Nos primeiros meses o relógio interno está a formar-se e é a luz que o afina.
Proteger a primeira sesta. É a mais reparadora e a mais previsível. Quando o dia descarrila, costuma descarrilar aqui.
Uma sequência curta e sempre igual. Três a quatro passos, quinze a vinte minutos, na mesma ordem: banho ou muda, luz baixa, uma canção ou um livro, cama. Não precisa de ser elaborado — precisa de ser reconhecível. Há um guia detalhado sobre como criar a rotina de sono, e um específico para o sono entre os 2 e os 5 anos, quando a sesta cai e as birras ao deitar sobem.
Cortar sestas depois das 16h30 a partir do ano. Uma sesta tardia curta é útil em dias maus; feita todos os dias, empurra a noite para a frente.
Rever antes de mudar tudo. Antes de assumir problema de sono, exclua o simples: dor de dentes, otite, fralda apertada, quarto quente demais (o ideal ronda os 18-21 °C), luz a mais de manhã, fome real numa fase de crescimento.
Quando falar com o pediatra: ressonar habitualmente ou pausas na respiração durante o sono, sono agitado com suor abundante, uma criança que dorme muito acima do intervalo e continua sonolenta de dia, ou perda de sono a acompanhar perda de apetite e de peso.
Este artigo é informativo e não substitui a avaliação do seu médico.
Veja também: Rotina de sono do bebé: como criar | Regressão do sono do bebé | Sono da criança dos 2 aos 5 anos
Ferramenta gratuita: a calculadora de sono infantil faz esta conta por si — diga a idade e a hora de acordar e devolve as sestas, as janelas de vigília e a hora de deitar sugerida.
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